Oxum assumiu na diáspora o papel da mãezinha cuidadora pela necessidade dos pretos órfãos buscarem em seu colo o acolhimento necessário para sobreviver às violências da escravidão. Sim, ela cuidava das suas subjetividades, das suas emoções enxugava as suas lágrimas. Oxum, entretanto, não é apenas sensibilidade e delicadeza. Quando ela traz a espada, a guerra se enche d’água que afoga.
Não existe homem capaz de vencer a sua lâmina afiada. Estrategista, ela vê o inimigo com olhar da paixão. O encanta. Seu feitiço entra pelos olhos. O que ela deseja, no entanto, é saber seu ponto vital. Oxum não derruba para desequilibrar apenas. Em guerra, Oxum é a potência feminina que dar a rasteira e o homem caído jamais conseguirá se levantar.
A Oxum acolhedora traz o rio na espada. Defende seus filhos como leoa faminta. Ela não mais perguntará, pois já fez todas as perguntas antes e as corujas de olhos grandes lhe trouxeram as respostas. A verdade é o seu julgamento. Quando toma seu inimigo não tem pena. A força da guerreira sai do fundo do seu útero. Ela elimina uma comunidade de aborós agressores de mulheres pela espada. Montada em seu cavalo, afia sua lâmina em água corrente, brava e forte. Manda chuva, alaga a aldeia, os homens correm, e com espada em punhos, Oxum elimina um a um. Decepa suas cabeças, traz para os pés das iyabás e anuncia ao mundo o seu poder cuidador e mortal.
Assim, Oxum mostra que não existe uma dicotomia entre o ser sensível e o ser da guerra. Que o feminino não representa apenas sensibilidade e delicadeza, mas também é vigor, estratégia e luta. Oxum é a água doce que gera a vida e também é a água límpida que afoga e leva à morte.
Texto de Van Omoloji

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